segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

"Fazer o Lula foi como ilusionismo", confessa protagonista


O ator Rui Ricardo Diaz nunca achou que pudesse interpretar o presidente da República - afinal, como seus amigos diziam, ele não é nada parecido com Lula. A partir do dia 1º de janeiro, todo mundo vai poder tirar a prova, quando chega aos cinemas do país "Lula - O Filho do Brasil". Com o trabalho concluído, o próprio Diaz se surpreende quando se vê na tela. "Fazer esse personagem foi como ilusionismo. Você, que não é ele, parece que é. Assim, você acredita que é", explicou ao UOL Cinema, durante o lançamento do filme em São Paulo.
Apesar da fama, inclusive internacional do personagem, Diaz não crê que ficará conhecido. Nem sabe como reagirá, se isso acontecer. "Eu sou um cara de teatro. Não estou acostumado a assédio na rua, às pessoas me reconhecendo. Não sei como vai ser agora". O ator sabe que, quando o identificarem na rua, estarão mais vendo a figura de Lula do que a dele mesmo - mas diz não ligar para isso. "Não sou uma pessoa de ter ídolos. Mas foi emocionante quando o conheci, depois da primeira sessão do filme no Festival de Brasília (em novembro passado). Lula tem um olhar muito forte, muito sincero. Mas, quando estou ao seu lado, sou um entre tantos que querem falar com ele".

Conseguir o papel principal do filme de Fabio Barreto foi, para Diaz, a combinação de uma série de coincidências felizes. Diversos atores desistiram do papel, entre eles, João Miguel ("Estômago"), até que Diaz foi convocado para mais um teste - ele já havia feito uma audição para outro personagem.

A preparação para o papel não foi fácil. "Eu não sei imitar o Lula, nem outra pessoa. Mas o filme conta a história dele quando era jovem, metalúrgico. É um Lula que pouca gente conhece. Isso me deu mais liberdade".

Ainda assim, a performance de Diaz leva para a tela algumas marcas registradas do presidente - como a dicção. "Eu assisti a muitos discursos do Lula. Prestei atenção na forma como ele fala. Ele tem um discurso muito marcante, muito forte. Por isso, coloquei na minha voz coisas que eu o ouvi falando", explica. Para o ator, o mais difícil foi fazer um Lula que não caísse na caricatura. "Ele é muito imitado, especialmente em programas humorísticos. Fica muito fácil ressaltar alguns pontos para torná-lo até engraçado. Mas era exatamente o contrário disso que eu queria: achar o lado humano do personagem".

Como as cenas da última parte do filme foram rodadas primeiro, Diaz teve de engordar 10 kg em dois meses, depois emagrecer alguns quilos em uma semana. O peso extra levou cerca de três semanas para ser perdido. O ator começou a se preparar em dezembro de 2008, permanecendo nesse processo até março de 2009, quando começaram as filmagens. "Também tive o apoio de um grande preparador de elenco, o Sergio Penna, que me ajudou a encontrar o tom certo".

Fora isso, o ator teve de esconder o dedo mínimo da mão esquerda com um esparadrapo - mesmo quando a mão não aparecesse em cena - , reproduzindo o pequeno defeito obtido por Lula num acidente de trabalho.

Diaz também acompanhou a equipe de filmagem para o Nordeste, onde foram rodadas as sequências da infância de Lula. "Eu não tinha nenhuma cena, mas o Fábio [Barreto] achou importante que eu conhecesse aquele lugar, que acompanhasse as filmagens. Um dia, peguei uma bicicleta emprestada e saí sozinho para explorar a região, foi algo mágico".

Interpretando Lula dos 18 aos 35 anos, o ator experimentou diversos momentos marcantes na vida do personagem, desde a morte da primeira mulher, até a conscientização política e ascensão como líder sindical dos metalúrgicos. Ele destaca como um dos mais emocionantes o discurso histórico no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), em 1º de maio de 1980. "Muitos dos figurantes eram metalúrgicos que estavam lá quando a cena aconteceu de verdade. Foi uma grande comoção. Eu também comecei a perceber o poder hipnótico do Lula. As pessoas simplesmente ficavam olhando, boquiabertas, sem sequer piscar os olhos".

Para o próximo ano, Diaz deve voltar a gravar a série "9MM - São Paulo", exibida na TV paga. Também fará uma nova peça de teatro, baseada numa novela de Fiodor Dostoievski, "Uma história lamentável".

Fonte: UOL Cinema

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