Zé Dirceu: Transcrevo aqui a nota publicada no blog do Ricardo Kotscho, a qual respondo acima. "Aos leitores: esta matéria foi originalmente publicada em "off". Agora, às 14h40, foi atualizada em "on". Os pesquisadores do Ibope só irão a campo daqui a uns dez dias para saber o que muda no quadro da sucessão presidencial após a revelação da doença da ministra Dilma Roussef, provável candidata do governo. "Não muda nada", assegurou-me ontem à noite Carlos Augusto Montenegro, o homem do Ibope, um dos mais antigos e respeitados analistas de pesquisas políticas do país. Em meia hora de conversa, ele me deu o seguinte cenário, mesmo antes de ter em mãos os números desta nova pesquisa.* O mesmo vale para qualquer outro candidato do governo na lista que será pesquisada para saber quem teria mais chances na eleição, caso Dilma seja obrigada a desistir da campanha, e Lula tenha que buscar outro nome. Tarso, Ciro, Palocci, Patrus, Haddad, qualquer um deles receberia o mesmo índice de transferência de votos e teria a mesma dificuldade para crescer a partir daí.
* A campanha de 2010 deverá mesmo ficar polarizada entre o candidato do governo e o candidato da oposição. Sem candidato, mais uma vez, o PMDB se dividiria meio a meio entre os dois lados da disputa. Ciro Gomes só seria candidato, em caso de desistência de Dilma, se for apoiado por Lula. Heloísa Helena e Cristovam Buarque desta vez não teriam espaço para suas candidaturas.
* O candidato da oposição será o tucano José Serra, do PSDB, que mantém seu amplo favoritismo na corrida presidencial e tem chances de vencer já no primeiro turno. As prévias do PSDB cobradas por Aécio Neves devem mesmo ficar para fevereiro, quando as pesquisas já devem apontar uma clara definição no quadro sucessório.
* A análise é a mesma feita antes das eleições municipais de 2008: assim como em 2002 era "a vez de Lula", em 2010 será "a vez do Serra", segundo Montenegro, e nada indica uma mudança brusca no cenário.
* Para ele, a "Era do PT" acabou no episódio do mensalão, que engoliu suas principais lideranças, embora o presidente Lula tenha mantido e até ampliado seu prestígio de lá para cá. Por isso, acredita que em 2010 não haverá nenhum nome do partido capaz de impedir a vitória de José Serra. Confrontado com os números das pesquisas em fevereiro de 2010, Aécio poderia escolher entre ser seu vice ou se candidatar ao Senado por Minas.
* Qualquer que seja o resultado da eleição e o efeito da crise econômica mundial no país, ele acredita que Lula deixará o Palácio do Planalto pela porta da frente, festejado pela população. "Ele já entrou para a História como um dos nossos três maiores presidentes da República, ao lado de Getúlio e Juscelino. Ninguém tem uma história igual à dele e a vida da maioria da população melhorou no governo do Lula, o país mudou".
É bom deixar bem claro, antes que os leitores comecem a me chamar de tucano, que o cenário desenhado acima pelo homem do Ibope não reflete desejos ou torcidas, nem da parte dele nem da minha, mas apenas uma análise realista do processo sucessório. Ao contrário, como se trata de uma disputa com final bastante previsível, meu interlocutor acredita que terá poucas encomendas de pesquisas no próximo ano _ o que seria ruim para seu próprio negócio."

















A chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Planalto na eleição do ano que vem, acompanhou como ministra o presidente Lula em viagem a Manaus, discursou e recebeu apoio e carinho. Está fazendo a sua parte, cuidadosa e muito bem. Nós, petistas, temos que fazer a nossa: unificar o partido, montar os palanques estaduais dando um exemplo de nossa capacidade de articular as alianças para 2010 e, com nossos aliados, particularmente com o PMDB, criar fatos políticos que consolidem a candidatura presidencial da ministra. Nossas candidaturas (majoritárias a governador, a senador) estaduais tem que seguir a lógica nacional, começando por Estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro, uma vez que em São Paulo o PMDB já apóia o governador José Serra e sua candidatura tucana à presidência da República no próximo ano. Mas, mesmo assim, em São Paulo podemos dar uma demonstração de nossa força disputando as bases do PMDB. Outra iniciativa imperiosa no momento é consolidar a candidatura de Gilberto Carvalho a presidência nacional do PT e dar início a construção do programa de governo para 2010.
















