quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Brasil insiste em meta climática para ricos até 2020


Do Blog do Anselmo Raposo
O embaixador brasileiro para questões climáticas, Sérgio Serra, disse nesta terça-feira (8) que o país aceitará a proposta de reduzir pela metade as emissões globais de gases do efeito estufa até 2050, se os países ricos adotarem metas mais rígidas relativas ao corte de emissões até 2020.

A Dinamarca, anfitriã da conferência climática de 7 a 18 de dezembro, considera a redução das emissões pela metade como uma parte essencial de um eventual acordo, a ser discutido no evento da ONU e finalizado no ano que vem.

Serra disse também que um acordo para preservar as florestas como forma de controlar a mudança climática também só poderá ser alcançado como parte de um pacto financeiro mais amplo.

A ajuda para que os países pobres se adaptem às consequências da mudança climática e reduzam suas emissões e as metas para as reduções de emissões dos próprios países ricos são os dois itens que mais dificultam a busca por um novo tratado climático global que substitua o Protocolo de Kyoto, cuja primeira parte expira em 2012.

Os países em desenvolvimento querem que as nações ricas adotem metas intermediárias ambiciosas relativas a 2020, para só então aceitarem uma meta global para 2050.

Nas próximas décadas, o maior aumento das emissões deve se dar nos países em desenvolvimento, e estes temem que as metas globais ameacem seu crescimento econômico, caso não venham acompanhadas por metas rígidas de mais curto prazo para os países desenvolvidos, e também por verbas generosas para a adaptação dos países pobres.

"O corte de 50% até 2050 não faz sentido se não houver uma meta de médio prazo [para os países ricos]. Com uma meta de médio prazo essa pode ser uma cifra razoável", disse Serra em Copenhague.

Todos os países industrializados já propuseram metas para 2020, mas não vão adiante, alegam os grandes países emergentes.

O Brasil e vários outros governos ainda insistem para que os países desenvolvidos reduzam suas emissões até 2020 para 25% a 40% em relação aos níveis de 1990. Outros países, especialmente os pequenos Estados insulares, mais vulneráveis ao aumento dos mares decorrente do aquecimento global, querem reduções de até 45%.

O atual compromisso dos países ricos é com uma redução de 14% a 18% até 2020, em comparação a 1990.

Nenhum comentário: