Se sua fama ainda não chegou a Washington, não se pode dizer o mesmo da Inglaterra. Dilma Rousseff está ficando conhecida na terra da rainha depois que o jornal “The Independent” publicou um perfil dela antes do primeiro turno. A nota biográfica foi considerada a notícia mais lida do ano no site do jornal britânico. Na reportagem, publicada no dia 26 de setembro, o jornal previa a sua eleição e afirmava: “[Dilma] marca o desmantelamento final do ‘Estado de segurança nacional’, um arranjo que os governos conservadores nos EUA e na Europa já viram como seu melhor artifício para manter um status quo podre, que manteve uma vasta maioria na América Latina na pobreza, enquanto favorecia seus amigos ricos”. O periódico ressaltava, ainda, que a petista, “como chefe de Estado, terá um cargo superior ao da chanceler alemã, Angela Merkel, e ao da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton”. O texto iniciava com um título expressivo: “Ex-guerrilheira Dilma Rousseff pronta para ser a mulher mais poderosa do mundo”.
A pesquisa divulgada no dia 16 de dezembro favorece a perspectiva de Dilma, quando registra que apenas 9% dos entrevistados consideram que o próximo governo será ruim ou péssimo. Além disso, 18% acreditam que o governo da petista será melhor do que o do presidente Lula, ao mesmo tempo em que 58% acreditam que a próxima gestão será equivalente à atual. A pesquisa mostra ainda que a expectativa da Região Nordeste para o próximo governo é positiva e chega a 70%. Já nos municípios com até 20 mil habitantes, esse índice atinge 65%. De acordo com o levantamento, a previsão é que o governo Dilma seja melhor ou igual ao do governo Lula para 79% das mulheres. Para os homens, o percentual é de 73%.
Quando o item refere-se às prioridades para o governo, 51% dos entrevistados elegem a área da Saúde como a principal e, logo em seguida, a da Educação (11%). Em terceiro lugar está a Segurança Pública (7%). O combate às drogas e o enfrentamento da fome e da pobreza empatam em quarto lugar (6%), enquanto o combate à inflação e as reformas política e trabalhista são considerados prioridades apenas para 1% dos entrevistados.
Foi a primeira pesquisa sobre a avaliação de Dilma como futura presidente, o que demonstra que ela, depois que assumir o governo, dependendo do seu desempenho e de sua performance política, poderá aumentar e consolidar sua posição, até porque a pesquisa a favorece antes mesmo do início de sua gestão.
A bsorvida em montar o seu primeiro escalão, Dilma Rousseff passou a ficar restrita ao trabalho, saindo da residência oficial da Granja do Torto apenas para compromissos que não pode deixar de comparecer, evitando o assédio e compromissos sociais. Ainda no dia 16 de dezembro, por exemplo, ela se reuniu com a cúpula do comando do PCdoB, mas não chegou a qualquer conclusão sobre a participação do partido em seu governo. A futura presidente tem o hábito de ouvir muito e falar pouco, o que deve ser herança da sua ascendência mineira.
Como em um tabuleiro de xadrez, ela observa todo o movimento, para tomar uma posição. No caso, o PCdoB quer manter Orlando Silva no Ministério dos Esportes, como também garantir o compromisso de que ele ocupará a chamada Autoridade Olímpica, que será responsável pelas Olimpíadas de 2016. Renato Rabelo, presidente do PCdoB, ao deixar o encontro com Dilma, não tinha nenhuma definição. Na ocasião, ele argumentou que ainda há um processo de negociação em andamento em relação aos cargos em toda a área do esporte, do ministro à autoridade olímpica, que não está resolvido. Insiste o PCdoB que a futura presidente adote o modelo inglês e confira status de ministro para o responsável pelo evento esportivo.
Dilma, que não terceiriza a definição de nomes para a sua equipe, ainda tinha que administrar, na tarde do dia 16, os interesses do PSB, que deverá ficar com a Integração Nacional e a Secretaria de Portos e Aeroportos, cujo titular na Esplanada dos Ministérios deverá ser o deputado Ciro Gomes, que já ocupou a pasta de 2003 a 2006.
Quem conhece muito bem o presidente Lula garante que ele não se desligará do poder tão cedo. Tal atitude poderá criar um clima nada amistoso com sua sucessora, que também tem personalidade forte e não permitirá essa intromissão, seja quem tente atravessar o seu caminho no governo. Afinal de contas, a presidente da República será ela, apesar de ter sido indicada e apoiada por ele. Uma coisa é a amizade, outra, completamente diferente, é o governo.
Durante um encontro recente com a futura ministra da Secretaria de Direitos Humanos, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) ouviu de Lula que, por mais que ela se esforce, jamais irá superar a gestão do seu antecessor na pasta, o ministro Paulo Vannuchi.
Como palavra pronunciada não tem volta, Lula até se desdobrou para desfazer o que tinha falado, mas ficou a impressão de que ele pode também imaginar que seus dois governos jamais serão superados.
É justamente aí onde mora o perigo. Fonte: Brasília em Dia.
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