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| Sede da UNE no Rio de Janeiro destruída pelos militares em 64 |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira, do lançamento da pedra fundamental da nova sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), na Praia do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro.
A construção abrange um projeto imponente, com assinatura e participação do escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, previsão de dois anos de obras e custo avaliado em R$ 44,6 milhões.
O custo da obra será bancado com a indenização que a instituição recebeu da União por ter sido incendiada e destruída pelo regime militar no ano de 1964.
A construção da nova sede da UNE abrange um projeto imponente, com assinatura de Oscar Niemeyer, e previsão de dois anos de obras, consumindo R$ 44,6 milhões. A pedra fundamental do prédio que será erguido na Praia do Flamengo, na zona sul do Rio, será lançada na segunda-feira, 20, pelo presidente Lula. O valor da obra seria ainda maior se Niemeyer não tivesse doado o projeto para a UNE em 2007.
A construção será composta por um prédio principal de 13 andares, uma praça aberta e um anexo, que deve funcionar como anfiteatro. Além dos departamentos administrativos, a sede abrigará um museu do movimento estudantil e centros culturais.
A sede original da UNE havia sido doada à entidade em 1942 pelo presidente Getúlio Vargas. O espaço concentrou campanhas importantes e atividades do movimento estudantil até 1º de abril de 1964, um dia após o golpe militar, quando o prédio foi destruído por um incêndio. Em junho deste ano, o Congresso e a Presidência reconheceram a responsabilidade do Estado pela destruição do prédio, o que garantiu a indenização.

Um comentário:
Há um erro de datas no noticiário sobre o resgate (não gosto da palavra, usada por esses órgãos mediáticos que irrigam o Brasil de besteiróis como "rescue" do inglês estadunidense, mas vá lá...) o resgate,, dizia, da sede da UNE. Erros de data, como certamente o em espécie, revelam impropriedade ou defeito conceitual, senão vejamos: o golpe de Estado de 1964 ocorreu a 01.04 e, não, a 31.03.64, como a burguesia induziu os milicos pontificarem, para evitar a conotação de engano de primeiro de abril ("poisson d'avril", em francês). Aquele golpe horroroso, maior vergonha brasileira perante a História e o mundo, segundo seus fautores, veio para ficar, e ficou, pensem bem, como a última campanha eleitoral o comprova factual (cf. Serra no Clube Militar) e conceitualmente (cf. Serra e as posições que assumiu, ao longo de meses reveladas, com apoios ostensivos do eleitorado).
Pois bem, o incêndio da UNE ocorreu na tarde deprimente daquele dia, quando caímos num verdadeiro primeiro de abril. Com 26 anos de idade então, quase 27, pertenço a uma geração que se deixou enganar, que acreditou (e voltaria a acreditar, fosse hoje, agora) na luta pelas reformas de base, que o Presidente Lula mal iniciou em seus dois quadriênios. Depois de passar por leituras anotadas da obra de Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Hollanda, Caio Prado Jr, Anísio Teixeira, Celso Furtado, Paulo Freire e outros e pelas lutas do "Petróleo é nosso!", "Fernando de Noronha é Brasil!" e participar de tantas greves, como a dos bondes no Rio de Janeiro (1956), caíamos num Brasil "desconhecido", que na verdade era o Brasil em-si, sem que o intuíssemos e deduzíssimos. Era o Brasil conservador por cima e reacionário de nossas classes médias, era o Brasil medíocre e mentalmente subdesenvolvido que se concederia (com capital gringo) uma TV Globo culturalmente genocida, por exemplo.
Naquela fatídica tarde, depois de assistir do alto (gabinete de Josué Guimarães, então Diretor da Agência Nacional) à entrada de tanques na Av. Presidente Wilson, para proteger a Embaixada, hoje Consulado Geral, dos EUA, partimos, desorientados, em direção à ZS (para onde? O Bar da Líder?) e paramos diante do início do incêndio, na Praia do Flamengo. Uns delinquentes, sob o comando delinquencial de rapazes com lenços azuis-claros em torno do pescoço ("os meninos do Lacerda" - conhecíamos vários), ateavam fogo aos bens e ao edifício da UNE, até 1942 Clube Germânia. Burrice deles, pois o fogo devorou arquivos que muito favoreceriam a repressão, desta muitos escapando em consequência, não raros levando uma vida de "bem-comportados", até 1985...Gustavo Dahl, recém-retornado ao Brasil, tentou interceder(*), imaginem a cena. A fim de evitar seu linchamento, tiramos o cineasta daquele teatro de grand-guignol.
Pois é isso, Jango abandonara o Laranjeiras e rumara para a área militar da Aeronáutica, ao lado do Santos Dumont, onde, às12h40, pegou o Viscount presidencial rumo a Brasília. Nesta, enquanto isso, Darcy Ribeiro tentaria resistir quixotescamente ao golpe em andamento com o General Fico, Comandante do Planalto, mas o golpe já fora dado, limitando-se o Congresso Nacional a referendá-lo, pela voz reacionária de Auro de Moura Andrade, chancelando-o, como a torná-lo "legítimo", em razão da fuga para o Sul do Presidente da República. Tropas da Polícia Militar de Minas Gerais tomariam a UnB no dia seguinte, quebrando para sempre a autonomia universitária, conquista da velha UNE em 1945-46.
Abraços do
Arnac
(*) Éramos Leon Hirszman, Joaquim Pedro, Paulo Cezar Saraceni, Mario Carneiro, Cacá Diegues, David E. Neves, Arnaldo Jabôr (sim, sic!) e vários outros cinemanovistas e agregados.
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